Parasitas cariocas proíbem Caldo de cana na baixada fluminense

O tradicional pastel com caldo de cana, um dos lanches preferidos do brasileiro, foi vetado no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. No bairro, pastel agora só é permitido nas barraquinhas se for com outra bebida. A proibição começou há um mês e pegou de surpresa os consumidores. Segundo a prefeitura, a ação visa o ordenamento do espaço público. Mas quem já está acostumado à dobradinha reclamou da decisão do governo municipal. O autônomo Matheus Alves, de 28 anos, chegou a perder o interesse pelo salgado sem o seu tradicional “acompanhante’’:

Kelly Alves desistiu de comprar o pastel quando soube que não havia caldo. Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

— Passei a comprar menos pastéis durante a semana. Saiu do padrão, né? Quando tem caldo, tem o rodízio. Agora, ficou sem graça. A dona de casa Kelly Pedro Alves, de 23 anos, chegou a desistir do pastel, quando soube da proibição.

— Só vim comer o pastel por causa do caldo. Sou apaixonada por caldo de cana — reclamou.

Ao todo, 16 barracas foram retiradas do Centro de Nova Iguaçu. Quem ficou teve que se adequar, mas sentiu a queda nas vendas.
— Chegava a vender mil reais. Agora, se eu vendo R$ 100 é muito. O pastel baixou de R$ 3 para R$ 2

— conta uma dona de barraca, que, com medo, preferiu não se identificar.

Matheus substituiu o caldo pelo refrigerante, mas foi contrário à medida Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Ela é licenciada, mas teve que guardar a moenda e substituir o caldo de cana por refrigerante, guaraná natural ou suco. Para consumir a bebida proibida nas barracas, só frequentando as lanchonetes do bairro. Ao longo da Avenida Marechal Floriano e da Rua Coronel Bernardino de Melo, não há mais as barracas que costumavam atuar por lá.

— Tinha um senhor que vendia aqui há muitos anos, mas ele saiu. A barraca ali da frente também. Ninguém sabe o motivo. Cada um diz uma coisa — disse outro camelô, que também preferiu não se identificar.

O técnico de informação Josué Fernandes Santiago, de 27 anos, pediu, contrariado, um guaraná natural para acompanhar o pastel:

— Não gostei. Pastel e caldo é tradição.

Devido à falta de informações oficiais sobre o motivo da proibição, boatos surgiram na cidade. E cada morador dava uma justificativa para o sumiço do caldo de cana do centro de Nova Iguaçu.
— As lanchonetes fizeram um abaixo-assinado pedindo o fim das barracas — disse, categórico, um camelô.

Segundo profissionais do bairro, agentes de Ordem Pública cumpriram a proibição da venda de caldo no início de junho. No entanto, nenhuma razão foi apresentada. Entre os vendedores do bairro, até a picada de um abelha surgiu como possível motivo para a proibição.

— Há um ano, uma criança foi picada por uma abelha no bairro da Posse, na barraca de caldo de cana. Mas tem tanto tempo e aqui é Centro — contou uma camelô.

Segundo a Prefeitura de Nova Iguaçu, o motivo para a retirada das barracas é outro. Segundo a administração municipal, elas foram retiradas por não possuírem licença e também porque estavam ocupando desordenadamente ruas e calçadas, dificultando a passagem de pedestres e cadeirantes. A prefeitura disse ainda que “há cerca de 50 barracas de caldo de cana licenciadas para venda nos bairros da cidade”, e que, “devido ao tamanho destas barracas, o licenciamento não é permitido no Centro’’.

Fonte: https://extra.globo.com

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