Um breve resumo da democracia brasileira

Lula era o cara mais honesto do Brasil até 14 de maio de 2005, quando aconteceu a divulgação das gravações do Mensalão pela revista Veja. Até então, Lula era um salvador da pátria para a maioria dos brasileiros, dispunha de quase 90% de aprovação.

O julgamento do Mensalão durou tempo bastante para mostrar que não se tratava apenas de um caso isolado de corrupção, mas de um sistemático e bem organizado esquema de compra de votos do Governo no Congresso. Mostrou que estávamos vivendo sob o manto da vagabundagem. Mas a população não deu bola para isso, reelegeu Lula, o pai dos pobres, no pleito seguinte.

Novos escândalos foram surgindo ao passar do tempo, e a imprensa amenizando, distorcendo os fatos e o grau de divulgação. Até que em março de 2014, surge uma operação que escancara e põe em cheque todo o sistema corrupto de Brasília, a Lava-Jato. A Lava-jato mostrou ao brasileiro que a corrupção brasileira era a maior do planeta. Mais de 90% dos parlamentares eleitos, tiveram suas campanhas financiadas por dinheiro de propina pago pelas maiores empreiteiras do país. Todas com contratos superfaturados de obras públicas. Tudo financiado com dinheiro do BNDES.

Dilma VS Aécio: a eleição mais corrupta da história.

Entretanto, apesar das muitas evidências contra o PT, sobretudo contra o ex-presidente, numa eleição recheada de suspeitas de fraudes eleitorais, Dilma consegue ser reeleita por uma diferença de 1%. Seu concorrente, Aécio Neves, não dispunha de confiança, e seu nome também estava envolvido em vários esquemas promíscuos. Metade do povo brasileiro votou nele por falta de opção, a outra metade votou na Dilma por canalhice. Nessa altura do campeonato, a economia brasileira estava em frangalhos por conta dos altos custos da corrupção na Copa do Mundo e Olimpíadas do Rio. Até então, não se imaginava quanto era o tamanho desse buraco. 

Em 2015, Dilma foi fotografada pedalando nas proximidades do Palácio do Alvorada por um paparazzo que não tinha nada melhor para fazer. Mal ela sabia, que pouco tempo depois, seria pega pedalando na Lei de Responsabilidade Fiscal pelo TCU.

Dilma é especialista em pedaladas.

São escândalos atrás de escândalos. Seu vice Conde Drácula, mais conhecido como Michel Temer, dá-lhe um chute bem no traseiro e rompe com seu governo, para dar início ao processo de impeachment ou “Golpe” para os esquerdistas. Temer viu uma boa oportunidade de tentar livrar sua cara, do PMDB e de seus aliados das investigações da Lava-Jato, e de quebra dissociar sua imagem do Partido dos “Trabalhadores”, no qual ajudou a chegar ao poder.

Numa das mais longas e chatas sessões da história, presididas pelo príncipe suíço mais amado do Brasil, Eduardo Cunha. Entre acusações bem elaboradas pelos advogados Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, com participações eloquentes da advogada possuída pelo demônio, Janaína Paschoal, e defesas deprimentes do então Advogado da AGU, José Eduardo Cardozo, o parecer final foi aprovado. Dilma foi considerada culpada pelas pedaladas fiscais. Foi o início da derrocada petista na Câmara.

Não se via tantos atores ruins nem na Malhação, e houve mais apresentações de Stand-up que o canal Comedy Central.

No dia da votação, havia tanta demagogia e atuação que mais parecia um crossover entre Ciro Gomes e Gregório Duvivier. Deputados que antes trocavam figurinhas com os petistas, naquele dia, viraram seus inimigos diante das câmeras. 

Não se via tantos atores ruins nem na Malhação, e houve mais apresentações de Stand-up que o canal Comedy Central. No fim, acabou com Dilma sendo impeachmada pelos “nobres” e “honestos” deputados de Brasília. Seguiu-se, para o Senado a tarefa de julgar e cassar o mandato. Iniciava-se outra novela chata e sem graça da televisão brasileira.

No Senado, encontravam-se responsáveis pelo andamento do julgamento o então presidente do STF, o deplorável Ricardo Lewandowski e o Presidente do Senado, a mutação genética de Alagoas, Renan Calheiros. Lewandowski resolveu não levar a cabo o artigo 52 da CF, então acatou o pedido da bancada da chupeta, e dividiu a decisão de cassação em duas votações. Sendo assim, na primeira votação a maioria dos senadores cassaram o mandato eletivo de Dilma, e na segunda votação mantiveram seu direito de exercício de função pública. Afinal, desviar dinheiro dos cofres dos bancos públicos para maquiar as contas públicas não foi tão grave assim, quando comparado com a compra de uma refinaria cheia de bosta por R$ 4 bilhões de reais.

Lewandowski olhando para os seus pares.

Depois do impeachment, iniciou-se a Era Drácula. Este, prometeu recuperar a economia, aprovar reformas estruturais, diminuir os ministérios, tapar o buraco deixado pela sua ex-guardiã da tumba, não aumentar impostos, transparência e, sobretudo, governabilidade. Entretanto, nada de bom foi posto em prática, como era de se imaginar. A Era Drácula ficou marcada pelos inúmeros escândalos envolvendo seus ministros, assessores e amigos. Em vez de tentar resolver esses problemas, ele aumentou-os. Foi posto em saia justa, quando foram divulgadas gravações de conversas nada republicanas com seu amigo açougueiro da J&F.

Lula olhando para o conde Drácula.

Hoje, estamos aqui senhoras e senhores. Com um STF totalmente desacreditado. Um Congresso recheado de corruptos. Desemprego recorde. Porém, o povo elegeu um novo governo, que em tese é o oposto dos últimos governos petistas. O povo brasileiro acordou, em princípio, para as mazelas socialistas e o demagogismo populista, só que não. O povo foi às ruas lutar contra toda a classe política que arruinou o país, e elegeu um novo governo.

Bolsonaro e Paulo Guedes, um namoro que deu certo.

Para sermos sinceros, Bolsonaro só conseguiu disparar nas pesquisas depois que iniciou o namoro com Paulo Guedes. Antes disso, era só mais um estatista, que falava algumas verdades aos petistas, que todo mundo tinha vontade de falar, mas que não tinham valor algum. Depois que se uniu a Guedes, seus discursos e entrevistas melhoraram drasticamente. Não era mais um político preocupado com viés morais e ideológicos da esquerda marxista, mas com a economia brasileira. Sua sincera e explícita ignorância em economia, deu lugar à sabedoria de grandes líderes, ao delegar a pasta econômica a Guedes. Com a promessa de privatizações, desburocratizações e reformas essenciais para enxugar a monstra máquina pública, Paulo Guedes teve seu primeiro desafio com a Reforma da Previdência.

Foram mais de 7 meses negociando com um congresso recheado de raposas e lobos carniceiros. Mas finalmente conseguiu sua primeira vitória. Logo veio uma das medidas mais audaciosas dos últimos tempos, a MP da Liberdade Econômica. Uma série de princípios que facilitam a vida dos pequenos empreendedores do Brasil. Foi um tiro certo em favor da liberdade.

Porém, nem tudo é maravilha. Bolsonaro escolheu alguns ministros errados e, como Don Vito Corleone, ele tem uma fraqueza sentimental pelos seus filhos. Acabara de nomear seu filho Eduardo como embaixador do Brasil. Seu partido PSL está se mostrando um câncer no Congresso. Várias medidas anti-liberais sendo propostas pelo partido.

O pior disso tudo, que o povo acabou proclamando Bolsonaro como um salvador da pátria. Como acontece sempre com líderes populistas. O povo brasileiro tem fetiche por um líder destemido que vai elevar o país, parece uma doença congênita.

Espero sinceramente que seu governo cumpra com todas as promessas. Mas tenho meus motivos para acreditar, que na primeira melhora econômica, ele freie algumas medidas radicais em prol de uma suposta governabilidade com o Congresso. Como dizia o economista Joseph Schumpeter, o livre comércio melhora tão rapidamente a qualidade de vida da sociedade, que esta esquece os anos difíceis, e tende a novamente agarrar ideias socialistas. Repetindo um ciclo vicioso estatista.

No entanto, está na hora do povo acordar e entender que não precisamos de políticos para promover o nosso bem-estar social, saúde, segurança e, principalmente, a economia. Não podemos deixar que os políticos ditem onde, como e o que podemos fazer ou deixar de fazer. Precisamos de liberdade para podermos trabalhar e empreender em paz. Para conquistar os nossos objetivos sem precisar recorrer ao estado para isto. Acredito na liberdade do indivíduo acima de qualquer governo. E que o respeito à propriedade privada é a base de tudo. Que o governo só precisa deixar as pessoas trabalharem e empreenderem livremente, sem qualquer restrição. E que o governo que precisa temer seu povo, e não o contrário. Parafraseando o saudoso Ludwig von Mises, Reis, príncipes e governantes nunca são liberais espontaneamente, o povo obriga-os. Precisamos lutar e amar a nossa liberdade acima de tudo. Temos que lutar pela nossa liberdade hoje, para garantir o futuro de nossos filhos amanhã.